Pitadas de amor, política, sexo, inutilidades, poesia e filosofia.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011




A melhor coisa na vida de um professor é sair da licenciatura ensinando numa escola particular. Melhor pois os alunos tem uma base formada, estão avançados nos conteúdos, a maioria escreve corretamente, lêem bem e a escola lhe garante um aparato, na sua maioria, de grande qualidade.
Isso ficou evidente nos dias que passei por um colégio particular na cidade, mas entrar numa sala de aula de uma escola pública é lamentável. Nossos alunos mal sabem ler, tem uma ortografia abaixo da média e estão ridiculamente preparados para vida intelectual. É desolador ouvir de alunos de séries avançadas que não aprenderam absolutamente nada dessa ou daquela disciplina nos anos anteriores, entretanto, mais desolador ainda é saber o porquê. Simplesmente os professores não dão aulas, ou quando dão, não explicam, ou quando explicam não se fazem compreender. Nossos salários são péssimos, nossas condições de trabalho são ruins, não há incentivos, trabalhamos em áreas diferentes da nossa formação, temos que trabalhar três turnos para ter um salário que dê para pagar as contas.
Tudo isso é verdade, mas nada disso nos dá o direito de empurrarmos nossas frustrações nos alunos e fazer um trabalho medíocre, onde vem a tona aquele velho ditado onde os alunos fingem que aprendem e os professores fingem que ensinam. Nós fizemos nossas escolhas, escolhemos lecionar num país onde a educação pública está fadada ao fracasso, mas não houve imposições, escolhemos porque pretendíamos mudar esse quadro (e aqui não há nenhum tipo de idealismo hipócrita), penso que a grande maioria que escolheu lecionar, escolheu por amor, por vocação. Se quiséssemos ficar ricos escolheríamos medicina, engenharia ou astronomia.
Mas o fato é que escolhemos ser professores, escolhemos educar, escolhemos tudo isso porque sem querer ainda queremos transformar o mundo num lugar melhor. Nossas frustrações e decepções em sala de aula não podem nos tornar carrascos de uma juventude tão ameaçada como a nossa. De uma juventude carente, carente acima de tudo de educação.
Lecionamos em escolas particulares aulas saborosíssimas e quando estamos diante das pessoas que mais precisam, insistimos em aulas monótonas e desinteressantes, onde nada é aproveitado. E não adianta usar a desculpa de que a escola não está preparada, se isso sair de sua boca, quem não está preparado é você. Nossos alunos merecem mais de nós, eles merecem viver o sonho que sonhamos quando escolhemos ser professores. E nós, merecemos dar mais de nós mesmos, a nós mesmos!

Tiago Sousa

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