Pitadas de amor, política, sexo, inutilidades, poesia e filosofia.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

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Chico

Como uma música pode marcar tanto a vida de alguém? Eu era apenas uma criança quando ouvi Chico pela primeira vez, se bem me recordo deveria ter no máximo 11 anos, estava sentado na calçada da rua como era de costume, sentávamos todos a espera de alguém que trouxesse uma pipa, ou a vontade de brincar seja lá do que fosse, sentei sozinho na porta de seu João - Seu João, um velhinho simpático até com as crianças da rua, lembro que todos os dias bem cedinho quando eu saía para a escola, ele estava lá fielmente alimentando os pombos em sua porta, todos os dias. Já era finalzinho da tarde, e eu contava as horas esperando chegar alguém para que eu pudesse mostrar as minhas gudes novas, que eu sabia que ia perder todas se jogasse com Luciano, filho de dona Mocinha, mas estava ansioso mesmo assim. Escureceu e ninguém apareceu, continuei lá sentado, encostado naquele muro verde e baixo. Acredite, na minha infância os muros eram baixos, não existiam grades e as janelas e as portas das casas ficavam abertas, talvez por isso eu consegui ouvir aquele som ao mesmo tempo leve e pesado que saia de dentro da casa de Seu João. Aquela música agradou tanto aqueles ouvidos infantis que eu nem pensei em me levantar para voltar para casa. Fiquei lá, devo ter ouvido todo o LP de Chico Buarque encostado naquele muro. Mas uma música ficou na minha memória como se fosse um hino. Não entendia bem o que a letra da música queria dizer, nem sabia quem era aquele cantor, mas o som era hipnotizante, ouvia frases que pareciam loucas para uma música, principalmente para as músicas que faziam sucesso no rádio: "olodum ta hip, olodum tah pop, olodum tah rock..." Aquela música "de velho" me fez entender, anos depois o que era música, o que era poesia e o que era arte, me fez procurar o significado das frases estranhas que eu não entendia, me fez gostar de um Chico, que eu nunca pensei que pudesse existir, um homem que escreve poesias que falam, que roubam, que petrificam. Viva a poesia e música de verdade.

domingo, 4 de julho de 2010

Amor


Foto: José Almeida e Maria Flores

Falar de amor é fácil, bem fácil. Dizer palavras bonitas, frases que encantam ou dizer que ama inexoravelmente aquele ser que divide seus dias. Difícil é saber amar, saber que o amor não se resume a declarações ou a paixões, que o amor é maior que quase tudo - exceto ao amor próprio. Amor é aquilo que traz à tona sentimentos avassaladores, inexplicáveis em palavras que extrapolam o eu te amo. Amor, como diz o poeta: "é quando um mora dentro do outro". E isso só acontece quando você é do outro e o outro é seu, mas isso não implica posse ou ou presença, mas saber que ninguém pode suprir a falta daquele, amor é ter alguém insubstituível no coração, é como plantar rosas regando jasmins.
Seria fácil amar, se o amor fosse essencialmente bom, mas ele não o é. O amor fragiliza, o amor confunde, te oferece escolhas diferentes das quais você mesmo escolheu, e nós nos entregamos a elas, as vezes isso nos traz toda sensação que esperávamos e as vezes nos traz um arrependimento que temos que carregar por toda vida.
É essa emoção inconstante que nos faz amar, tremer, perder o tino, chorar descabeladamente e sorrir indiscriminadamente.
Amor é flores ao acaso, é deitar na rede, é cantarolar mesmo desafinadamente, é olhar as estrelas. Amor é amar.

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