Pitadas de amor, política, sexo, inutilidades, poesia e filosofia.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Acerca da imortalidade. Uma visão de Dalí.

Salvador Dali, propôs uma tese interessante, ele dissera que ao invés de os cientistas se ocupassem em conquistar o espaço, a lua e os planetas, eles deviam gastar toda energia e fundos, para o código genético, a hibernação e descobrir um meio de não morrermos, a imortalidade não é ponto cogitado pela ciência, há um progresso nas questões de prolongar a vida, curar doenças, contudo nehuma questão levantada sobre a imortalidade. Porque não tornar o homem imortal?
Quais seriam as implicações se esse ponto fosse atingido pela ciência? Em primeiro lugar, se a imortalidade fosse instaurada, os nascimentos não iriam mais acontecer, ou pelo menos não deveriam, evidente que se continua a nascer homens imortais, em cinquenta ou cem anos não haveria lugar na terra, a comida seria escassa, não haveira água potavel para todos, o mundo entraria em colapso. Portanto, a primeira iniciativa deveria ser a de proibir os nascimentos. Nesse sentido é importante pensar no choque piscológico que a humanidade teria em não poder gerar descendentes, depois disso viria o lugar do sexo, como ficaria a única ferramenta de reprodução do ser-humano? Nos primeiros séculos o sexo seria apenas diversão, mas pela lógica da evolução, se a função foi tirada e razão de ser deixa de existir os orgãos sexuais e todo seu aparelho atrofiaria e estaria fadado ao definhamento. Aqui entra um grande problema, sem os aparelhos sexuais é também possível que desapareça as diferenças de gênero, homens e mulheres não se diferenciariam mais já que não há sexo. Pensando na tese de Dalí, ganhariamos a vantagem da vida eterna em terra, sem alusões ao além, ao pós-morte e as crenças religiosas, entretanto não haveria renovação, nenhuma cara nova surgiria no planeta, teriamos que conviver com aquele vizinho insuportavel por toda eternidade junto ainda com aquele parente intratável, aquela sogra chata e aquele colega ciumento, e os governos, se agora eles já fazem rodízio, imagine quando não houver outra expectativa! Essa nova ordem mundial proposta por Dalí seria um tédio asfixiante. E aí surge um compêndio bem maior, será que a ausência da morte compensa ao ponto de trocarmos a mortalidade pela renúcia ao sexo?

Adaptado por Tiago Sousa apartir do ensaio Morrer ou não morrer? Eis a questão. Roberto Pompeu de Toledo. In: Revista Veja. Ed Abril, 20 de dezembro de 2006.

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